Administração Pública e Sociedade da Informação: como anda o governo eletrônico?

Eduardo de Carvalho Viana <eduardo@rnp.br>

Rede Nacional de Pesquisa - Centro de Informações - CI

Resumo

O texto procura explicar o conceito de governo eletrônico e relata um pouco das experiências, projetos e expectativas brasileiras na área. Tentou-se fazer um painel tão atualizado quanto possível da atuação do governo em relação à Internet e às tecnologias da informação.

Abstract

This text tries to explain the concept of e-governance and to report some of the experiences, projects and Brazilian expectations in this field. We attempt to provide as updated a view as possible of the government acts related to the Internet and to information technologies. 

1. Introdução

Segundo relatório do Ibope de setembro, hoje somos 14 milhões de brasileiros conectados à Internet.[1] Ainda é um número pequeno num país de 170,5 milhões de habitantes1, mas, se depender da vontade do governo, este número crescerá rapidamente.

O governo brasileiro tem razões de sobra para querer que mais e mais pessoas acessem a grande rede mundial. Antes de mais nada, porque é muito mais barato e rápido oferecer serviços via Internet. Os poucos privilegiados internautas também perceberam que é mais prático consultar dados e prestar informações através da rede do que enfrentando longas filas em repartições públicas.

Há pelo menos mais três razões para o governo querer a democratização do acesso:

1.     o mercado de TI é responsável por uma parcela cada vez maior do Produto Interno Bruto;

2.     a Internet pode ser um meio eficiente de democratizar o acesso à informação;

3.     e, tendo linha direta com a população, o governo pode fazer relações públicas de si mesmo, sem a interferência da Imprensa, por exemplo, e sem precisar gastar rios de dinheiro em propaganda.

Vários países envolvem inúmeras pessoas em programas exclusivos dedicados ao assunto. As medidas tomadas incluem regulamentação do setor, políticas de segurança, investimento em infra-estrutura, disponibilização de informações e serviços na Internet e políticas de democratização do acesso. Tudo isto leva o nome de e-governance ou governo eletrônico.

1 - Estimativa do IBGE em 06/01/2001, com base nos resultados preliminares do Censo Demográfico de 2000. Disponível em http://www.ibge.gov.br/ibge/disseminação/online/popclock/popclock.php.

2. Sociedade da Informação

Só no ano passado, venderam-se cerca de três milhões de computadores pessoais, um crescimento de 30% em relação a 1999.[3]

Em apenas quatro anos, 50 milhões de novos usuários surgiram nos Estados Unidos. Em 1991, quase toda a Ásia, Europa Oriental, África, América Latina e alguns países da Oceania estavam fora da grande rede mundial de computadores. Em apenas seis anos, quase todo o mundo, com exceção de alguns poucos países na África, Ásia e Oceania, estava conectado à Internet.[4]

O mercado gerado pelas tecnologias da informação já responde por mais de 10% do PIB brasileiro. As possibilidades de uso da Internet para disseminação da informação e alavancagem da economia não passam despercebidas pelos governantes. Parece claro que não há como voltar atrás: a chamada economia globalizada não pode prescindir do potencial das tecnologias da informação.

Com um olho nos benefícios sociais que este novo mundo pode trazer e dois olhos na Nova Economia, o governo brasileiro investiu num programa chamado Sociedade da Informação no Brasil - SocInfo (www.socinfo.org.br). Criado em 15 de dezembro de 1999, o programa tem orçamento de R$ 3,4 bilhões, previsto no Plano Plurianual para o período de 2000-2003. O SocInfo existe para articular, coordenar e fomentar o desenvolvimento e utilização segura de serviços avançados de computação, comunicação e informação e suas aplicações na sociedade mediante a pesquisa, desenvolvimento e ensino, oferecendo novos serviços e aplicações na Internet, garantindo vantagem competitiva e a inserção da empresa brasileira no mercado internacional. O programa foi criado a partir de um estudo do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia e é coordenado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

2.1 Livro Verde

Com o objetivo de preparar uma proposta de ação, o SocInfo elaborou um documento chamado "Livro Verde", lançado em 24 de outubro de 2000. O Livro Verde foi resultado da dedicação de mais de uma centena de especialistas, que se dividiram em 12 grupos temáticos e contaram com a colaboração de outra centena de pessoas. Este documento já começou a ser discutido publicamente e transformar-se-á em um relatório final, chamado "Livro Branco". Paralelamente, haverá a constituição de um Conselho Diretor e a explicitação dos mecanismos para levar a cabo as propostas apresentadas.

Para a execução das metas pretendidas no Livro Verde, o programa prevê o compartilhamento das responsabilidades entre governantes, organizações privadas e sociedade civil. Dos R$ 3,4 bilhões orçados para o período até 2003, apenas 15% sairão do Tesouro Nacional. Parte significativa destes recursos deverá vir do setor privado, através de leis de incentivo fiscal, como a Lei de Informática (Lei nº 10.176/2001), aprovada pela Câmara de Deputados em 27 de dezembro de 2000 e sancionada pelo presidente da República em 11 de janeiro de 2001.3

A execução do programa irá se desdobrar em sete grandes linhas de ação, detalhadas em arquivo anexo.

3 - A íntegra da Lei de Informática está disponível em http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Leis/LEIS_2001/L10176.htm.

2.2 Obstáculos

Segundo declarou o ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Mota Sardenberg, ao jornal Último Segundo (www.ultimosegundo.com.br), a previsão é de que o Brasil tenha, até 2003, 36 milhões de internautas [???????]. Para suportar todo este povo, a infra-estrutura de redes ainda precisa ser bastante melhorada. a 1999, houve um salto de 20 milhões para 27 milhões de linhas de telefone fixo instaladas.

Calcula-se que o prejuízo dos investidores americanos foi da ordem de US$ 1,5 bilhão.

Além do fortalecimento do comércio e da disseminação de computadores e de linhas para acesso à Internet, é preciso investir em serviços, aprimorar a legislação, garantir a segurança da informação e a privacidade do usuário, e, acima de tudo, democratizar o acesso. Este último ponto talvez seja o principal obstáculo a ser vencido. Num país de iletrados, são muito poucos os que têm a desenvoltura necessária para o uso da informática. É preciso, como se diz, diminuir o analfabetismo digital; mas, antes de mais nada, é preciso reduzir a grande massa de analfabetos reais, aqueles que, quando muito, sabem escrever o próprio nome.

3. Governo Eletrônico

Em abril passado, o portal Rede Governo (www.redegoverno.gov.br) promoveu o I Seminário Governo na Internet. Os principais pontos alvos de discussões foram, além da democratização do acesso, o modo de atuação que deve ser adotado pela administração pública em relação à Internet, o problema da regulamentação e as possibilidades de parceria entre poder público e setor privado.[6]

3.1 Regulamentação

O problema da regulamentação preocupa todo o mundo.

Há uma grande preocupação de vários setores da sociedade em "evitar uma hiper-regulamentação asfixiante".[6] Entendendo a Internet como um espaço de liberdade democrática por excelência, os governos de todos os países sempre esbarram nesta dificuldade, retardando a regulamentação dos crimes cometidos na rede com medo de descaracterizarem sua aura libertária. Alguns projetos sobre o assunto estão em tramitação no Congresso Nacional. O mais adiantado é o Projeto de Lei 84/99, do deputado Luiz Piauhylino (PSDB-PE)4, que abrange questões como invasão de computadores e redes de computadores, pornografia e privacidade de dados pessoais.[8] O projeto, aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, foi entregue ao ministro da Justiça, José Gregori, em 9 de novembro de 2000.

4 - O Projeto de Lei está disponível em http://www.cnol.com.br/projetos/proj/diversos/pl84.shtml.

3.2 Segurança

A preocupação com a segurança dos dados dos usuários em sítios do governo fez com que o Ministério do Planejamento elaborasse um documento denominado "Fundamentos do Modelo de Segurança da Informação"[9], no qual afirma que:

"É fundamental garantir o direito dos cidadãos à privacidade, além do direito à consulta sobre os dados coletados nos sistemas governamentais, previstos na Constituição. Os websites públicos devem comprometer-se a garantir a confiabilidade das informações de caráter pessoal que são armazenadas em suas bases de dados, sejam elas relativas aos usuários ou pessoas que compõem a administração pública." 5

Em um trabalho mais avançado - "A Segurança das Informações e a Internet"[10], o Ministério do Planejamento descreve alguns princípios básicos que devem nortear um trabalho de segurança. Segundo o documento, um programa para gerenciamento da segurança da informação deve obedecer a três requisitos básicos: disponibilidade, integridade e confidencialidade dos recursos de informação. O trabalho, escrito primordialmente para ser usado pelos órgãos da administração pública, pode servir de material de referência para qualquer tipo de organização que desenvolva atividades na Internet.

O estudo do Ministério do Planejamento pretende ser bastante didático e apresenta algumas das técnicas de segurança existentes:

Fonte: MACHADO, 2000 (2). [10] Pág. 24.6

No âmbito do Poder Executivo federal, a assinatura eletrônica passou a ser considerada a partir do Decreto 3.714, de 3 de janeiro de 2001. De acordo com o decreto, os ministros e secretários-executivos dos ministérios, além do próprio presidente, terão um cartão eletrônico para assinatura de seus documentos digitais. Cada ministério deverá criar uma caixa postal específica para recebimento e transmissão destes documentos e a transmissão será feita por sistema que garanta a segurança, autenticidade e integridade do conteúdo da mensagem. O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, disse que "a utilização do meio eletrônico para circulação de documentos entre ministérios e a Presidência da República aumenta a segurança, reduz custos e oferece mais mobilidade aos ministros na assinatura dos documentos."[11] Um projeto que dá valor jurídico aos documentos eletrônicos federais, estaduais e municipais, está em estudo.

Há na Internet várias páginas que abordam o tema segurança. A Rede Nacional de Pesquisa mantém um Centro de Atendimento a Incidentes de Segurança - CAIS (www.rnp.br/cais/) - que estuda e divulga problemas e soluções na área de segurança em redes de computadores. Algumas referências sobre o assunto podem ser encontradas na página do CAIS, em http://www.rnp.br/cais/cais-referencias.html. Artigos do NewsGeneration sobre segurança podem ser pesquisados em http://www.rnp.br/newsgen/gerais/artigos.shtml ou usando a ferramenta de busca.

5 - MACHADO, 2000 (1).[9] Pág. 2.

3.3 Serviços

O Governo Federal resolveu antecipar de 2004 para 2002 o prazo para disponibilização de todos os serviços do governo na Internet. No plano inicial, apenas os serviços da área social deveriam estar disponíveis até o final do ano que vem.[12] Hoje há mais de 3.500 sítios governamentais na Internet.

O Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados) havia se comprometido a disponibilizar, até o final do ano passado, o serviço de pagamento de tributos pela Internet. Além de ser mais prático para o cidadão, que poderá efetuar o pagamento direto no sítio da instituição arrecadadora, sairá mais barato para os cofres públicos, pois serão reduzidos os pagamentos de tarifas à rede bancária. Um exemplo é o recolhimento do imposto de renda que, já este ano, poderá ser feito direto através do sítio da Receita Federal. Para pagamento à vista, o contribuinte poderá escolher, a partir de uma lista, o banco do qual deseja autorizar o débito, digitando a agência, conta e senha.[13]

Em dezembro, foi lançado o e-gov (www.governoeletronico.gov.br), sítio desenvolvido pelo Ministério do Planejamento para servir como intermediador entre a sociedade e o Comitê Executivo do Governo Eletrônico. O Comitê, criado em 18 de outubro de 2000, tem como objetivo "formular políticas, estabelecer diretrizes, coordenar e articular as ações de implantação do Governo Eletrônico".[14]

Outra iniciativa interessante é o já citado portal Rede Governo, que pretende ser um atalho para todos os sítios do governo federal na Internet. Idéias semelhantes estão rapidamente sendo criadas por governos municipais e estaduais, como o portal PBH (http://www.pbh.gov.br/), da Prefeitura de Belo Horizonte.

3.4 Democratização do Acesso e Infra-Estrutura

Talvez a tarefa mais importante do governo eletrônico seja democratizar o acesso à rede. Esta ampla tarefa inclui desde espalhar computadores para acesso público até ensinar as pessoas a usarem a Internet, passando pela expansão da rede física.

Hoje que a Internet comercial já está bastante difundida, a RNP investe na consolidação do backbone de alta velocidade, RNP2, o qual será conectado à Internet2 norte-americana ainda no início deste ano. É no backbone da RNP2 e nas Redes Metropolitanas de Alta Velocidade - ReMAVs (www.rnp.br/remav/) - que são testados novos protocolos e aplicações, como telemedicina, educação a distância e videoconferência.7 A meta do projeto RNP2 é integrar todas as instituições federais de ensino superior em sua rede.

O Programa Sociedade da Informação está levando em conta o impacto que as redes digitais de alta qualidade deverão ter na sociedade e o papel central das tecnologias da informação para a competitividade econômica. É por isso que reconhece a necessidade de uma infra-estrutura avançada de redes e de computação para dar suporte a todo tipo de atividade, da pesquisa ao comércio de bens e serviços, passando pelos serviços públicos e pela educação e cultura. Neste contexto, a consolidação do projeto RNP2 representa um grande impulso para a pesquisa brasileira.

O governo investe também na formação de outras redes, como as "Infovias do Nordeste", que pretendem ampliar as malhas de redes regionais nordestinas, e a Rede Metropolitana de Alta Velocidade Empresarial (REMAV-E),8 primeiro passo para a Internet comercial de alta velocidade. A intenção é capilarizar a rede brasileira o máximo possível.

O governo pretende ligar, até 2003, todas as 73.000 escolas públicas de ensino básico e médio do país à Internet.

Foi lembrado também que as tecnologias da informação podem recrudescer as diferenças sociais dentro dos próprios países e que, para dirimir este risco, o papel do Estado é fundamental. Em relação a uma estratégia global, sugeriu-se a adoção de políticas especiais em favor dos países em desenvolvimento, como o apoio de órgãos internacionais na instalação da infra-estrutura de telecomunicações.

O ministro-chefe da Casa Civil, Pedro Parente, reafirmou, durante o seminário "Governo na Internet: o fim da burocracia" que a democratização é imprescindível: "Se isso não for feito, estaremos contribuindo para o aumento da desigualdade social no país. Temos que popularizar o acesso entre as classes C, D e E", comentou. O ministro acrescentou que "a idéia é que toda localidade com mais de 600 habitantes tenha pelo menos um ponto de acesso público até dezembro de 2002."[17]

Os planos são de instalar pontos de acesso à Internet em repartições públicas, bibliotecas e até casas lotéricas. Em São Paulo, um pool de empresas criou o projeto PopBanco, que levará a Internet a padarias. Através de 2.500 quiosques espalhados em padarias de todo o Estado, os usuários terão acesso a email gratuito, pagamento de contas e serviços públicos diversos.[18]

7 - A edição de julho do NewsGeneration (volume 4, número 4) traz vários artigos, produzidos por técnicos das ReMAVs, com descrição das experiências desenvolvidas.

8 - Para maiores informações sobre a REMAV-E, veja a ata da primeira reunião do projeto em http://ww2.socinfo.org.br/documentos/memoria01.htm.

4. Conclusão

Segundo o documento Developments in electronic governance[19], elaborado pelo Instituto de Estudos de Governo Local - INLOGOV (http://spp3.bham.ac.uk/dlgs/homepage.htm), da Universidade de Birmingham, Inglaterra, e patrocinado pelo British Council, são os seguintes os princípios que devem guiar o governo no controle da informação:

1.     acesso - permitir que a informação esteja largamente disponível aos cidadãos, organizações civis e setor privado;

2.     processo - prover informação sobre como acessar e se envolver no processo político;

3.     divulgação - prover informação sobre o que será discutido e decidido, e quando;

4.     comunicação - desenvolver canais para trocas de pontos de vistas e informações;

5.     e envolvimento - dar oportunidades para que a sociedade se envolva no debate sobre o conhecimento e evolução da informação.

Como foi visto aqui, a comunidade de redes pode trazer benefícios para todos, mas pode também aumentar o fosso entre ricos e pobres, letrados e iletrados, internautas e não-internautas. Cabe ao governo tomar as decisões certas para que a expansão da Sociedade da Informação não se dê à imagem e semelhança da sociedade brasileira, isto é, cheia de distorções. Cremos que os princípios acima são ótimos parâmetros para iluminar o caminho que se quer trilhar com a Sociedade da Informação.

Infelizmente, algumas coisas acontecem muito lentamente e, enquanto a Internet comercial cresce acelerada e desordenadamente, as iniciativas governamentais parecem sempre estar atrasando o compasso.

A Internet2 norte-americana começou a ser montada na virada de 1996 para 97 e o desenvolvimento de aplicações e estudo de novos protocolos já estão bastante avançados. Aqui no Brasil, por falta de infra-estrutura de telecomunicações, foram criadas as Redes Metropolitanas de Alta Velocidade, que só recentemente começaram a apresentar seus primeiros resultados práticos. A afirmação do presidente Fernando Henrique, em setembro, de que a Internet2 era uma prioridade, chega um pouco atrasada. Apenas no início deste ano está sendo possível fazer a conexão de alta velocidade com o exterior, ainda que a RNP tenha assinado o acordo com a University Corporation for Advanced Internet Development - UCAID (www.ucaid.edu/ucaid/) - em março do ano passado. A assinatura do acordo abriu as portas para a participação do Brasil no projeto Internet2 norte-americano.

A própria Rede Nacional de Pesquisa sofreu com a falta de recursos, o que fez com que sua rede não acompanhasse a evolução da demanda em 99, só vindo a ser atualizada no decorrer do ano 2000. A falta de financiamento se reflete também na carência de profissionais capacitados para gerenciar e desenvolver pesquisas em redes avançadas. Com bolsas de pesquisa muito inferiores aos salários de mercado, o governo não consegue segurar os jovens profissionais nos laboratórios de informática e ciência da computação por muito tempo.

No que tange à regulamentação, alguns projetos de lei vagam no Congresso há quase cinco anos. Discussões entre industriais de São Paulo e da Zona Franca de Manaus quase levam a aprovação da Lei de Informática para o próximo ano legislativo. Algumas iniciativas locais como o projeto Digitando o Futuro (www.curitiba.pr.gov.br/digitando/), da Prefeitura de Curitiba, Paraná, contribuem para o processo de democratização do acesso à Internet.[21] Iniciativas da sociedade civil, como o Comitê para Democratização da Informática (www.cdi.org.br), estão levando a familiarização com o computador para favelas, tribos indígenas e presídios. Mas há ainda muito o que ser feito e é preciso pensar qual o verdadeiro papel do Estado nesta história. Oferecer serviços na rede talvez tenha menos impacto para a população de baixa renda do que possibilitar o uso da telemedicina em hospitais públicos e postos de saúde. Preparar profissionais e mantê-los no país, trabalhando para a nossa Sociedade da Informação (ao invés de trabalharem para a Sociedade da Informação dos outros) talvez seja mais importante do que instalar computadores em escolas de ensino fundamental, sem professores capacitados para lidar com a máquina.