EXTRATO DE:
O PONTO CEGO
POR QUE A CIÊNCIA NÃO PODE IGNORAR A EXPERIÊNCIA HUMANA
Autores: Adam Frank, Marcelo Gleiser e Evan Thompson
Editora Record – 2024/2025/2025
[Estamos em] uma crise de significado.
Cada um desses casos que acabamos de mencionar - cosmologia e a origem do universo, física quântica e a natureza da matéria, biologia e a natureza da vida, neurociência cognitiva e a natureza da consciência - representa mais que um campo científico individual. Coletivamente, representam as grandiosas narrativas científicas de nossa cultura acerca da origem e da estrutura do universo e da natureza, da vida e da mente.
[O reducionismo é] a Ideia de que a ciência provê um relato literalmente verdadeiro de como é a realidade em si, à parte de nossas interações cognitivas com ela.
Wishful thinking: força do pensamento.
Maurice Merleau-Ponty: O corpo é o veículo de estar no mundo.
Termometria é a medição da temperatura.
No alto de uma Montanha, a água ferve a uma temperatura mais baixa que no nível do mar.
O zero absoluto é o limite ideal de temperatura no qual um sistema termodinâmico. Não tem energia. A energia termodinâmica foi definida em termos microfísicos, como o movimento médio de moléculas ou átomos.
Desconsiderar a nossa experiência direta do mundo perceptivo enquanto elevamos abstrações matemáticas como verdadeiramente reais é um erro fundamental.
Matéria tempo. Vida e mente. Toda ciência é sempre a nossa ciência profunda, irredutivelmente humana, uma manifestação de como vivenciamos. E interagimos com o mundo.
A ciência se empenha em ser uma narrativa científica bem-sucedida, feita em conjunto a partir do mundo e da experiência que temos dele.
A experiência direta não é simples e instantânea; É completa e tem ritmos de duração. Essencialmente, é anterior ao conhecimento explícito. Conhecer, pressuponho, experimentar. E não se pode derivar experiência apenas a partir de episódios de conhecimento. Nosso ser sempre é mais do que aquilo que conhecemos.
A temperatura, definida como a energia cinética média de átomos ou moléculas, realmente existe enquanto quente, frio são meras aparências sensoriais. [em outro trecho] A temperatura ou a energia cinética média de átomos ou moléculas é que é objetivamente real, enquanto as sensações de quente e frio são meras aparências subjetivas.
[Uma parte do reducionismo] pertence à área da epistemologia, a teoria do conhecimento da explicação. O pequenismo é a ideia de que o principal método para explicar o sistema é a micro redução, que consiste em fragmentar um sistema em seus elementos e explicar as propriedades do todo com base nas propriedades de suas partes. Pequenismo implica que a física de partículas elementares é a ciência proeminente, pois é a única ciência que permanece se reduzirmos progressivamente afirmações sobre coisas ou sistemas grandes em sociologia, psicologia, biologia. E química, afirmações sobre as coisas menores em física fundamental.
Para o objetivismo, a ciência se empenha em conseguir uma visão de Deus da realidade como um todo.
Para o fisicalismo, tudo o que existe é físico.
Medidas objetivas da altura de uma onda são irrelevantes para os praticantes do surf. O que importa para eles é como avaliam o tamanho e a ferocidade de uma onda em relação a seu corpo e sua habilidade de surfar, isto é, em relação a sua experiência. Direta.
[A ideia do ponto cego é apontar para a amnésia, ou seja,
a desconsideração da experiência nas formulações científicas]
Entidades não observáveis da teoria física e os objetos não observáveis da lei física (...) não são espaçotemporais nem participam de interações causais. Não se pode bombardear um gás ideal.
Tempo, espaço, movimento, forças e partículas.
Whitehead: Há apenas uma
única natureza diante de nós: a natureza que está diante de nós mediante o
conhecimento perceptivo.
A questão atual: como a consciência possível num universo
puramente físico.
Fluxo de eventos.
Alfred North Whitehead: Toda a filosofia é tingida com a coloração de algum pano de fundo imaginativo que nunca emerge explicitamente na linha de raciocínio.
A cosmogonia: teoria da origem do universo.
Enquanto os átomos em si são imutáveis, seus movimentos e colisor dão origem às configurações transientes que percebemos como o mundo macroscópico.
Todas as diferenças qualitativas entre coisas. São
atribuídas a diferenças, informa tamanho, arranjo e movimento dos hipotéticos
átomos; e todas as mudanças substanciais e qualitativas percebida nos corpos
físicos são reduzidas aos movimentos e diferentes combinações de átomos.
Quando
cada átomo se move, há um desvio pela mínima quantidade possível, adicionando
um elemento de acaso ao movimento atômico.
O universo é um sistema mecânico sem vida, construído a partir dos movimentos de átomos inertes que se movem segundo regras que nada tem a ver com vida, mente ou propósitos. Acaso em movimento mecânico, não. Deuses são o que regem o mundo.
Não há tempo antes da criação e a criação não é um evento no tempo. É um ato eterno.
Newton viu que forças sempre devem vir em pares entre o corpo exercendo a força e o corpo “reagindo”, respondendo a ela.
Quando Newton usou o termo “leis” deixou implícito que
suas leis do movimento são as reais estruturas governantes da criação de Deus.
O movimento liga espaço e tempo.
[Exemplo da impossibilidade do “determinismo.] Calcular o
estado futuro de uma minúscula caixa de gás, requereria a solução de trilhões e
trilhões de equações.
A velocidade nada mais é que uma medida de como a posição varia com o tempo, ou seja, o momento linear não é realmente uma grandeza independente da posição.
II COSMOS
Para Bergson, o tempo vivido é o tempo real e o tempo do Relógio é um abstração.
Todo movimento e ação numa dança se sobressai ao mesmo tempo. Que se funde com outros. Notas e movimentos passados continuam pairando nos atuais, e notas e movimentos futuros já se infiltram nos que estão ocorrendo agora.
Clepsidras: relógios de água tipo ampulheta.
[Questão irrelevante no unip:] Por que existe algo em vez de nada?
Whitehead: A natureza é um processo.
Movimento inercial: movimento em velocidade constante e em linha reta.
O movimento é sempre em relação a alguma outra coisa. [alguma outra coisa é a base da percepção]
O calor não é de modo algum uma substância, eSIM movimento. É agitação térmica de pequenas partículas de matéria, muitas vezes invisíveis ao olho novo.
Microscopicamente, esse aumento de temperatura resulta da energia transferida de moléculas de água quente rápidas colidindo com moléculas de Água Fria lentas, o que leva a uma velocidade molecular média mais elevada. Na banheira e, portanto, há uma temperatura geral mais elevada da água.
A natureza não sabe nada de espaços de fase ou granulação grossa. Não sabe nada das nossas abstrações idealizadas. Ainda assim, o tempo avança desde o Big Bang.
Toda pequena região do espaço tem seu próprio tempo, que passa de acordo com o campo gravitacional nas suas redondezas e de acordo com o estado de movimento do observador.
MATÉRIA
A distinção traçada por Galileu, descartes, Boyle e locke entre qualidades primárias e secundárias. Foi determinante para a visão de mundo científica? Qualidades primárias são as qualidades fundamentais pertencentes às diminutas, partículas de matéria corpúsculos cujas relações, no espaço e no tempo, constituem a ordem da natureza. Para locke, essas qualidades eram tamanho, forma, movimento, número e. Habilidade qua. Cidades secundárias, cor, sabor, som, cheiro quente e frio existiam apenas como efeitos na mente, causados pelas qualidades primárias da matéria. Estritamente falando, qualidades secundárias são os poderes dos objetos materiais, baseados inteiramente em suas qualidades primárias de causar sensações mentais que não se assemelham. As qualidades primárias.
Whitehead. A natureza é uma coisa aborrecida, sem som, sem perfume, sem cor. Severamente o apressado deslocamento de material infindável sem sentido.
O decaimento de um núcleo radiativo ou o salto quântico
de um elétron de uma órbita para outra mais abaixo são fundamentalmente
probabilísticos.
COSMOLOGIA
Todos os modelos falham. Pois modelos são idealizações da realidade.
O tempo foi de maneira diferente segundo as condições locais, quanto mais forte a gravidade, mais devagar o tempo passa.
Por tempo psicológico, Einstein quis se referir à percepção subjetiva da passagem do tempo dependente de fatores individuais, tais como uma forma de nossos sistemas perceptuais responderem a estímulos sensoriais, sensoriais e as nossas emoções ou estado de espírito.
A natureza não produz dispositivos de medição, exceto via seres humanos e suas intenções.
Não existe estado de repouso absoluto na teoria da relatividade.
Nenhuma medição pode ser tão precisa quanto se deseja. Essa limitação fundamental compromete a tarefa de mapeamento da realidade. Pequenos erros em medições se propagam, informação se perde e a reversibilidade é essencialmente impossível. Sistemas com grande número de partículas são caóticos: Perturbações mínimas, ainda que muito distantes, afetam o sistema, de modo a tornar impossível predizer seu comportamento deterministicamente. O famoso efeito borboleta em previsões climáticas.
Um ser perfeito milagroso teria que ser Uma síntese do demônio de Laplace que conhece a localização e o momento linear precisos de toda partícula no universo e dessa maneira seus valores, passado e futuro para qualquer dado instante, ponte e do demônio de Maxwell. Capaz de seguir toda partícula em seu curso e intervir de modo a fazer de crescer a entropia. (...) Para esse ser o passado e o futuro seriam igualmente acessíveis e controláveis. (...) O tal ser precisaria ser onipresente e onisciente, saber os detalhes de todas as medições individuais de posição e o momento linear instantaneamente através do espaço. No entanto, como isso poderia ser possível, considerando que cada medição? Que é uma interação numa região do espaço em dado instante do tempo. Em outras palavras, a própria noção de causalidade e a finitude da velocidade da luz impedem que tais medições ocorram em qualquer sentido remotamente realista. O naturalismo se choca com o Sobrenatural.
O tempo é intrínseco a todas as criaturas vivas, de bactérias unicelulares a Pinheiros milenários, estrelas nascem, evoluem e morrem, e galáxias se afastam umas das outras à medida que o universo expande. O tempo parece correr para a frente através de todas as escalas espaciais, desde um mundo pequeno até o muito grande, do quântico ao cósmico.
Nossa imagem do passado reside no presente e a história que podemos contar sobre o passado é necessariamente incompleta.
Não podemos nos desvencilhar da história cósmica porque ela é também a nossa história. Estamos no universo e o universo está em nós. Ficamos presos num loop. Estranho.
Não temos os detalhes do que realmente aconteceu perto do começo e abundam explicações.
Toda a estrutura material existente, de núcleos atômicos a aglomerados de galáxias, de estrelas e planetas a criaturas vivas, surge e é sustentada por uma troca termodinâmica de energia livre disponível que é transformada em entropia.
A aglomeração gravitacional é um processo lento que usa a energia potencial para espremer a matéria em volumes menores. Quanto mais exprimidas, mais depressa essas partículas e outros objetos se movem [e maior é a temperatura], causando um aumento na entropia.
Se o que podemos dizer no mundo depende da nossa experiência do mundo, descrever o que está além de qualquer possibilidade de confirmação, vivencial pertence ao Reino dos deuses, não das pessoas.
VIDA
Como um sistema de IA como esse incorporei sem vida seria capaz de reconhecer vida? Como seria capaz de dizer quais fenômenos são seres vivos? Como seria capaz de saber que a função do coração é bombear sangue e não produzir sons, uma vez que ambos são feitos igualmente físicos? Como seria capaz de saber a diferença entre um processo saudável e um patológico, uma vez que as leis da física e da química não os diferenciam?
George Canguilhen: ao mesmo
tempo que pessoas consideradas verdadeiros monstros ainda são seres vivos, não
há distinção entre normal e patológico. Em física e mecânica, a distinção entre
o normal e o patológico vale apenas para seres vivos.
A biologia pressupõe a própria experiência da vida.
Na metafísica do reducionismo as propriedades de sistemas
complexos são determinadas discursivamente pelas propriedades de suas partes.
Organismos como sistemas interiores organizados produzem a si próprios, reparam a si próprios e geralmente mantém a si próprios. Autonomia biológica é o nome para esse tipo de organização sistêmica. A auto individuação iniciativa e autonomia dependem. Gente. Liberdade da necessidade ou Liberdade elétrica, nas palavras de Jonas, fazem da vida algo diferente de qualquer outra coisa na natureza ou de qualquer coisa que fabriquemos.
Estruturas dissipativas: são sistemas que operam longe do equilíbrio termodinâmico, trocando matéria e energia com seus arredores. Eles geram padrões em larga escala das combo ciclone e o furacão, enquanto a energia que flui através dele os deslocar-se de seu equilíbrio, embora a estruturas dissipativas sejam abundantes em sistemas vivos. Ser uma estrutura dissipativas não basta para ser um organismo, incêndios, furacões e estrelas não são organismos.
Estrelas são entidades que se auto canibalizam, que “comem” suas próprias entranhas para sobreviver.
Quando uma Estrela esgota o combustível em seu núcleo, ela morre numa enorme explosão, criando ondas de choque que se propagam, espalham seu material através do espaço interestelar.
Estrelas não são vivas da mesma maneira que organismos não têm metabolismo nem se reproduzem de modo a formar linhagem históricas de duração aberta.
A estratégia reducionista de dividir o organismo (a célula) nas suas partes provou ser um método tão poderoso para investigar biomoléculas que uma verdade crucial foi esquecida: As propriedades de cada parte dependem das inter-relações. Das partes e do contexto das partes dentro do todo.
Schrodinger especulou que para a estrutura da matéria viva, “devemos estar preparados para achar um novo tipo de lei física que lá prevaleça”.
Um sistema vivo tem autonomia e auto agenciamento: produz, mantém e regenera as partes e os processos que constituem seu funcionamento como um todo integrado alto governante (autonomia) e também promove condições ambientais favoráveis para sua própria existência e evita ativamente condições que ameacei. (autoagenciamento).
Ainda que os genes desempenham um importante papel em criar a organização biológica, também são consequências dessa organização não determinantes dela.
Nas palavras de Francisco Varela, uma célula se destaca numa sopa molecular, definindo e especificando Fronteiras que as separam daquilo que ela não é”.
Poiese: do grego “poíesis”, criação.
Autopoiese (conceito formulado por Francisco Varela): capacidade de um sistema vivo de gerar e manter a si mesmo continuamente através de seus próprios componentes e processos, criando sua própria organização e limites.
Autonomia mediante fechamento de restrições é assinatura da função biológica.
As bactérias se comunicam por meio de sinais químicos e assim regulam sua expressão de genes em resposta a flutuações em sua densidade populacional celular. Comportamento chamado “quorum sensing” (sensor de quórum) também se movem em direção ao que acham atraente e se afastam do que acham repulsivo. Comportamento conhecido como quimiotaxia.
As células manterão seu sentido de movimento enquanto detectaremos um acréscimo no nível de nutrientes. Se o nível de nutrientes decair, elas passarão a zanzar aleatoriamente até deparar com uma orientação em que voltem a detectar um acréscimo e, nesse ponto, vão se encaminhar nessa direção. Repetindo esses comportamentos - nadar na mesma direção enquanto as condições melhorem ou não piorem e zanzar aleatoriamente quando as condições começarem a se deteriorar, ou reverter o curso ao encontrar toxinas -, as bactérias podem percorrer longas distâncias rumo a locais favoráveis e para longe de locais deletérios (destrutivos, prejudiciais).
Ezequiel Di Paolo: A vida não seria melhor sem precariedade? Simplesmente não seria a vida.
A
evolução não pode ocorrer sem sistemas organizados que se reproduzem com
variação.
Um mínimo de complexidade organizada é requerido para que a complexidade aumente como resultado da seleção natural.
A evolutividade também pode aumentar em complexidade à medida que evolui.[Em minha convicção, a evolutividade É aumento de complexidade.]
Um organismo. Como agente autônomo, age em seu próprio nome, de modo que intrinsecamente tem um propósito: atua para seus próprios fins, tais como manter sua viabilidade em condições precárias.
Não há 2 células ou organismos, mesmo que geneticamente
idênticos (isogênicos), que se comportem exatamente da mesma maneira.
Sistemas caóticos não são lineares (os efeitos não são proporcionais às causas), seu comportamento é a periódico e suas trajetórias são extremamente sensíveis a minúsculas mudanças nas condições iniciais.atl
Os espaços físicos (de fase) (...) são uma invenção nossa, notável e muito efetiva, para tornar inteligíveis os fenômenos físicos.
Organismos e ambientes se co criam mutuamente de modo circular. (...) Podemos explicar retrospectivamente essa cocriação depois do fato ocorrido, mas não podemos predefinir espaços de fase nos quais essas vias co criadas sejam trajetórias possíveis.
Kaufman. Não podemos escrever leis de movimento para a Biosfera evolutiva. (...) Em suma, a vida é baseada na física, mas além da física, não pode haver uma teoria final para a evolução de um universo que tenha pelo menos uma Biosfera. Em evolução.
Poeta Antônio Machado: andarilho, a estrada são seus
passos, nada mais; Você constrói o caminho ao andar.
A vida é alto, possibilita dôra, não possibilitada por leis. A vida é essencialmente histórica. Kaufman.: este vasto devir emergente está além da física; No entanto, se baseia nela. Isso é a vida, construindo a si mesma e possibilitando sua própria e vasta diversificação evolutiva aqui e em qualquer Biosfera no universo.
COGNIÇÃO
Percepção de relevância.
Os projetistas de IA (...) imaginam uma lista de efeitos colaterais potencialmente relevantes que precisam ser considerados. Mas quais efeitos colaterais são os relevantes? (...) Mas há um paradoxo. Como um agente de IA será capaz de ignorar o que é irrelevante sem que, de algum modo, entenda o que é relevante? [frase reformulada].
A relevância depende do contexto e não há limite para o
que possa ser relevante.
A experiência de intuição é um efeito colateral posterior ao fato, um epifenómeno subjetivo de computações cerebrais.
A capacidade de abstrair e formar analogias é determinante para a percepção de relevância.
Ao contrário de um jogo de Tabuleiro, o mundo não vem pré configurado em estados prontos para uso, governado por regras precisas sobre como agir com um conjunto limitado e definido de elementos.
Em situações de vida real, não há como especificar antecipadamente o que pode acontecer e o que pode acabar se mostrando relevante. Não há como colocar limites em situações do dia a dia para especificar o que cai dentro e o que cai fora desses limites.
Há também o problema de como ligar com a longa lista de situações improváveis e, portanto, difíceis de prever, que não aparecem nos dados de treinamento para sistemas de aprendizado de máquinas super fusionada.
Falácia da concretude deslocada: tratar modelos computacionais abertos - os mapas - como se fossem concretamente reais - o território.
LLM – Large Language Models.
[Todo algoritmo é tendencioso.] “Criar um [algoritmo] é pegar um mundo quase infinitamente complexo e variado (...) um processo que requer escolhas inerentemente políticas, culturais e sociais.” Kate Crawford
Experiência e vieses humanos [os analistas de sistemas e programadores] jazem profundamente sedimentadas em modelos de IA.
Sistemas de IA não sabem nada sobre o mundo como tal; Em vez disso, detectam correlações estatísticas nos dados que lhes fornecemos, sem compreensão do que reside por trás dessas correlações.
CONSCIÊNCIA
Epoché: suspensão do juízo.
A epoché é um exercício espiritual e filosófico para ganhar acesso à consciência como condição de possibilidade para inteligibilidade. Antes da realidade, para que a própria ideia de realidade seja significativa.
A linha do Horizonte é um limite que não conseguimos cruzar, porque ela vai sempre recuando à medida que nos aproximamos dela.
A consciência é o Horizonte de qualquer coisa que
possamos perceber sobre a qual possamos pensar e investigar, inclusive quando
estamos fazendo ciência. Podemos observar, imaginar, investigar somente dentro
do Horizonte da consciência e qualquer coisa que determinamos como sendo real
ou factual obtenha essa determinação de dentro do Horizonte da consciência.
Consciência é o Horizonte dentro do qual está presente em qualquer fenômeno do qual podemos falar ou para o qual podemos apontar. (...)
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Alguns sustentam que a consciência é produzida pelo cérebro ou é idêntica a um estado do cérebro; outros sustentam que é algo não físico, impossível de ser reduzido à natureza física. Alguns dizem que é um tipo de ilusão cognitiva, enquanto outros argumentam que é um dos ingredientes fundamentais da realidade, que uma descrição puramente física não consegue capturar.
Uma coisa transcendental é uma condição não fornecida pela experiência, mas pressuposta Por Ela.
A forma aparente de alguma coisa não revela necessariamente como essa coisa é mesmo no caso da consciência.
Merleau-Ponty: O corpo é o veículo do ser no mundo.
O sujeito projeta o mundo porque traz para o primeiro plano o mundo como um espaço de significado e relevância.[Regina]
O sujeito corporal é uma projeção do mundo, um meio de o mundo se auto-organizar localmente e ser autoindividualizar de modo a constituir um ser vivo.
O mundo existia antes de existir a consciência dele.
O que quer que saiba mais sobre o universo é sabendo a partir de dentro do mundo da vida. E o mundo da vida é inerentemente aberto a essa fonte que o transcende. O mundo da vida exibe ao mesmo tempo, fechamento (qualquer ação dentro dele resulta em outra ação dentro dele) e transcendência (ele é intrinsecamente aberto aquilo que está além dele) o mundo da vida e o universo se abarcamento mutuamente.
· Qualidades primárias: tamanho, forma, solidez, movimento, inúmero.
· Qualidades secundárias. Cor, sabor, cheiro, som quente e frio.
John Locke: ensaio acerca do entendimento humano.
Leibniz: quando inspecionamos, um sistema mecânico. (...) Não acharemos nada que explique a presença de estados mentais (sensações, percepções e pensamentos).
[Até hoje] (...)não foi feito nenhum progresso fundamental na ciência para superar o abismo entre consciência e modelos físicos.
[Tem quem imagine que se caminhar o suficiente chegará só horizonte.]
Precisamos explicar como o surgimento de organismos conscientes ocorreu, inclusive se a senciência é coetânea com a vida ou um evento evolucionário posterior, e se o surgimento da consciência foi acidental ou inevitável do ponto de vista evolutivo.
O mapa não é o território.
Qualquer coisa que percebamos é apenas um palpite feito de dentro do modelo. O modelo incorpora tudo o que é percebido como, estando além dele. O modelo engole sua própria base física. Aquela base externa torna-se apenas mais uma hipótese dentro do modelo.
Cada observador se baseia apenas em sinais de erros privados para achar seu caminho pelo mundo. Não existe meio digno de crédito para explicar o conhecimento científico com base nesse arcabouço solipsista.
Perceber é uma relação entre nós mesmos e o mundo.
5 propriedades essenciais são identificadas e servem como os os axiomas da teoria, traduzidos em postulados acerca das propriedades essenciais do substrato físico da consciência:
1. Existência intrínseca: cada experiência existe a partir de sua própria perspectiva intrínseca ou não relacional.
2. Composição: cada experiência composta de múltiplas distinções fenomenais.
3. Informação: cada experiência é informativa no sentido de que difere de outras experiências possíveis.
4. Integração: cada experiência é unificada.
5. Exclusão: cada experiência é definida em conteúdo.
Devemos esperar no futuro mais mudanças drásticas no nosso conceito de realidade física.
[Num raciocínio pampsiquista] A física nos revela apenas as propriedades estruturais e relacionais dos fenômenos físicos (por exemplo, a física nos diz o que é um elétron apenas com base no que ele faz ou como está disposto a se comportar em relação a outras entidades; ela não nos diz qual é a natureza intrínseca do elétron ou que é um elétron em si).
Pampsiquismo: É a filosofia que postula que toda a matéria possui alguma forma de consciência ou experiência interna, sendo a consciência é uma propriedade fundamental e ubíqua do universo, não restrita a seres humanos ou animais. Essa visão busca resolver o “problema difícil da consciência” ao propor que a consciência não emerge de matéria não consciente, mas está presente desde os níveis mais básicos da realidade. A filosofia tem raízes antigas com pensadores como Tales de Mileto, e tem sido reformulado ao longo da história. Por filósofos como Spinoza, Leibniz, William James e mais recentemente por David Chalmers. Fonte: IA do google.
Uma propriedade intrínseca é tradicionalmente entendida como uma propriedade que algo teria, mesmo que fosse a única coisa no universo ou a única coisa em existência.
O PLANETA
As mudanças planetárias podem levar a mudanças na vida, e mudanças na vida podem levar a mudanças planetárias numa amplificação da autonomia e do auto agenciamento dos sistemas vivos para escalas planetárias.
Vernadsky: A vida existe apenas na Biosfera. Organismos são encontrados apenas nas finas camadas externas da crosta terrestre. Estão sempre separados da matéria inerte que os cerca e por uma Fronteira clara e firme. Organismos vivos nunca foram produzidos por matéria inerte em sua vida, sua morte e sua decomposição. Um organismo circula os seus átomos através da Biosfera vezes e vezes seguidas, mas a matéria viva sempre é gerada a partir da própria vida.
2 bilhões de anos atrás, foi a vida microbiana da Terra que criou altos níveis de oxigênio atmosférico.
Gaia era a deusa grega da Terra.
CST: Ciência do sistema terrestre.
Antropoceno: é a ideia de que vivemos num planeta dominado por humanos. O antropoceno não é produto de toda a humanidade, mas sim de grupos particulares de pessoas, especificamente os responsáveis pelo colonialismo ocidental.
Harold Cook: podemos dizer que economias e ciências caminham juntas como corpo e mente.
John Crookshanks: Verdade, inúmeros são sempre a mesma coisa.
[Foi observado] que a economia continuará seguindo, não importa quanto a perturbação social ou seja, causado pela mudança climática.
Dado tempo suficiente (ou muitas cópias idênticas do
sistema), todos os estados possíveis do sistema acabarão por ser alcançados.
Cada passo evolucionário depende da história inteira do sistema e de seu ambiente, bem como das restritas possibilidades disponíveis condicionadas no presente.
A trajetória do sistema é um caminho dependente (seu estado presente depende do caminho que percorreu para chegar até aqui0 e depende do possível adjacente (Aonde pode ir está condicionado ao lugar em que está). Não existe visão divina preexistentes que determinem tudo que é possível. A vida não tem espaço de fase previsível.
Os nós de um sistema complexo não são considerados átomos cujas propriedades especificadas anteriores determinam a arquitetura da rede. Em vez disso, a arquitetura e o comportamento da rede são propriedades emergentes que surgem da atividade coletiva do sistema inteiro. Seu ambiente e sua história evolutiva.
A maioria dos sistemas complexos envolve múltiplas camadas de rede.
Como aspectos básicos da dinâmica total emergem apenas a partir de interações em larga escala, em geral, é impossível ver o comportamento possível em redes multicamadas partindo apenas de uma consideração das propriedades do nó. Muitas vezes, é impossível até mesmo especificar as propriedades de um nó até que apareçam dentro dessas redes.